quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Palavras dum anjo sem asas





















[At the gate, Amanda Keeys]

 

Há pouca coisa a se dizer sobre ela, porque a maioria delas sempre esteve encerrada num terreno inalcançável para as palavras. E seu silêncio nunca deixou de carregar consigo o mistério de céus noturnos mas estrelados. Da mesma maneira que brilha ininterruptamente plural a sua força num olhar outono-veranil. Porque ela abre delicada os caminhos para o sol de seus desejos e paixões. E se parece em tudo com uma mulher sempre menina, parada à beira do cais, em gesto de cumplicidade e reverência ao horizonte, que sabe a curta distância de seus sorrisos – mas ela é mais, e muito. Toda essência, é a menina que apaixona espelhos. E que sempre torna um ponto final reticência, sem medida e completamente loucas as almas, pincelando a arco-íris de seus olhares os dias. Ela não sai do pensamento, sublima a gente, é um verão de girassóis, nada dessas tantas metáforas falhas, criadas pela linguagem na tentativa de exprimir tudo, a começar pelas sensações. É impossível não cair por ela a cada trecho de vida que vira segundo inesquecível, e de no se imaginar em seus lábios não derramar reticências que não se esgotam na boca, alma e corpo. Não há descrição possível para torná-la palpável ao tato das palavras, o que existe é ela em si, um poema sem fim, sempre por vir, causando na gente um estado profundo de epifania.

 

[Ewa Brzozowska]