Palavras dum anjo sem asas

[At the gate, Amanda Keeys]
Há pouca coisa a
se dizer sobre ela, porque a maioria delas sempre esteve encerrada num terreno
inalcançável para as palavras. E seu silêncio nunca deixou de carregar consigo
o mistério de céus noturnos mas estrelados. Da mesma maneira que brilha
ininterruptamente plural a sua força num olhar outono-veranil.
Porque ela abre delicada os caminhos para o sol de
seus desejos e paixões. E se parece em tudo com uma mulher sempre menina,
parada à beira do cais, em gesto de cumplicidade e reverência ao horizonte, que
sabe a curta distância de seus sorrisos – mas ela é mais, e muito. Toda
essência, é a menina que apaixona espelhos. E que sempre torna um ponto final
reticência, sem medida e completamente loucas as almas, pincelando a arco-íris
de seus olhares os dias. Ela não sai do pensamento, sublima a gente, é um verão de girassóis, nada dessas tantas metáforas falhas,
criadas pela linguagem na tentativa de exprimir tudo, a começar pelas
sensações. É impossível não cair por ela a cada trecho de vida que vira segundo
inesquecível, e de no se imaginar em seus lábios não derramar reticências que
não se esgotam na boca, alma e corpo. Não há descrição possível para torná-la
palpável ao tato das palavras, o que existe é ela em si, um poema sem fim,
sempre por vir, causando na gente um estado profundo de epifania.
[Ewa Brzozowska]
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